sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Projeto de Desordem e Destruição #1 – Clássicos


Esses dias atrás rolou na net uma discussão sobre o papel das editoras, dos autores e dos leitores na questão dos livros nacionais. Alguns acreditavam que o problema são as editoras, que não fazem divulgação suficiente para que os consumidores tomem conhecimento dos lançamentos nacionais, outros apontaram que autores também tem que mostrar mais a cara do Brasil nas suas histórias, e outros disseram que o problema mesmo estava nos leitores que não consomem livros nacionais.

Não se pode generalizar tudo, existem editoras que investem em autores nacionais, fazem propaganda e tudo mais, tem autores que escrevem com a cara e o jeito do Brasil, e tem leitores que consomem livros nacionais.

A opinião é que quando unisse os três fatores citados no primeiro parágrafo que a coisa derroca. Mas a questão da falta de consumo de livros nacionais por parte dos brasileiros é a mais complicada, porque não vai importar que tenha propaganda, não vai importar que o livro seja bom e com a cara do Brasil, se quando o leitor vai comprar um livro e  perceber que ele é nacional, escolhe levar outro ao invés.

Isso é uma fratura na educação brasileira, e colocar um curativo não vai adiantar.

Na literatura brasileira existem os Cânones, que é um compendio de clássicos que melhor retratam a cultura brasileira, na opinião da Academia Brasileira de Letras.

Quando você vai para a escola e começa a aprender literatura, os professores vão passar para os alunos lerem os livros que estão dentro desse Cânone. Até ai tudo bem, o problema é que dar Dom Casmurro para um aluno do primeiro ano do ensino médio, sem nenhum trabalho prévio é fogo na roupa.

A educação para a vida de leitura é uma escalada, você começa por livros fáceis e descomplicados, vai escalando, moldando o seu gosto, vai subindo, subindo, até que atinge leituras mais complexas, como por exemplo: Dom Casmurro.

Dom Casmurro é um dos livros mais complexos do Machado de Assis (e um dos mais aborrecidos também). Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro muito mais descomplicado, que poderia ser trabalhado ao invés.

Mas o problema é que o professor TEM que trabalhar Dom Casmurro, está na grade, é um exigência do Estado, sendo escola particular ou publica, é exigido que o aluno leia os cânones da literatura brasileira, esses livros são pedidos no vestibular.

A questão exige um olhar desde o ensino básico, professores do fundamental deveriam ajudar os alunos na sua escalada desde cedo, para que quando eles cheguem aos temidos cânones, eles já estejam preparados para o baque que vão receber.

Por que eu estou dizendo tudo isso?

Porque Cânones mal trabalhados causam trauma, existem milhares de leitores ativos no Brasil que não leem livros nacionais por terem sido traumatizados, que foram obrigados a ler Senhora, e agora acreditam que todos os livros brasileiros também o mesmo estilo.

São alunos que saem da escola sem saber que Erico Veríssimo e Luiz Fernando Veríssimo são leituras maravilhosas. Sem saber que Cecília Meireles é cativante, sem saber que Dalton Trevisan não é recomendado para menores de 16 anos…

Alunos que saem da escola sem ter contato com leituras contemporâneas, como Domingos Pelegrini, que ofereceria a oportunidade de fazer uma ligação com as literaturas atuais.

A falta de um trabalho continuado, que começa desde as séries inicias até as finais, que por sua vez criam uma industria de livros nacionais que anda mal das pernas.

2 Opiniões:

J. disse...

Eu gostei bem mais de Dom Casmurro do que de Memórias Póstumas...

CatLady disse...

Sério?
Eu li os dois, mas não fiquei fã de nenhum deles...
No entanto, foi mais fácil ler memórias... pra mim, pelo menos...

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